O que é

SETOR ARQUIDIOCESANO DA JUVENTUDE

 

  1. UNIDADE

 

A Igreja é uma comunhão orgânica, que se realiza através da coordenação dos vários carismas, ministérios e serviços em ordem à consecução do fim comum que é a salvação. O Bispo é responsável pela realização desta unidade na diversidade, procurando favorecer de tal modo a sinergia entre os diversos agentes que seja possível percorrerem juntos o caminho comum de fé e missão (Pastores Gregis, 44).[1]

A comunhão, fruto da unidade, é anunciada pelo Evangelho e trabalhada permanentemente pela Igreja. Os discípulos missionários de Jesus Cristo se abrem a este convite e se empenham nesta busca. A organização diocesana (nosso caso: Arquidiocesana), convicta deste valor e missão, convoca todas as forças para este objetivo comum. E para a área juvenil, não pode ser diferente!

O documento latino-americano, Civilización del Amor, Tarea Y Esperanza, quando se refere ao delegado do bispo para a evangelização da juventude local, explicita sobre a sua tarefa de promover a unidade, isto é:

favorecer a Pastoral Juvenil diocesana, convidando todos os que se empenham para evangelizar os jovens a incorporar-se organicamente num caminhar comum, buscando critérios, multiplicando esforços, racionalizando recursos e animando a criação de uma mística e de um espírito diocesano.[2]

 

  1. TERMINOLOGIA

A simples expressão “Setor Juventude” pode ter várias interpretações. Quando usada de maneira genérica, a expressão pode se referir àquela área específica juvenil que se quer atingir com uma determida ação pastoral.

Essa mesma expressão foi utilizada um bom tempo pela organização da CNBB para se referir a um dos três setores da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato. A partir de 2011, com a criação de uma Comissão especial para a juventude, ela deixou de ser usada para a instância nacional.

Atualmente, para se referir àquele espaço de comunhão, em nível diocesano, capaz de congregar as diversas formas de trabalho juvenil, utiliza-se a expressão completa “Setor Diocesano da Juventude[3]” e não somente “Setor Juventude”.

 

  1. HISTÓRIA

A Igreja do Brasil tem uma longa e rica história de trabalho junto à juventude. Vislumbra-se no correr dos anos maneiras diferentes de atuação. Já na década de 1990, as Pastorais da Juventude buscam caminhos de aproximação destas diferenças. Em 1991, no subsídio, Cadernos de Estudos da Pastoral da Juventude Nacional – PJ e Movimentos, aparece esta necessidade de aproximação:

Tendo presente que Pastoral da Juventude e Movimentos são organizações que devem estar a serviço do mesmo Espírito, para edificação da Igreja e para a evangelização dos jovens podemos tentar propor algumas pistas concretas de ação comum. Percebe-se a necessidade de um momento forte de somar forças, proporcionando maior conhecimento mútuo. Um momento privilegiado a nosso ver seria o Dia Nacional da Juventude. Instituído pelo Setor Juventude – CNBB […] visa atingir não só os grupos de jovens da pastoral, ou de jovens presentes na Igreja, mas também jovens de todos os lugares e situações. […] é a tentativa e o compromisso dos jovens de anunciar Jesus, o compromisso dos jovens cristãos com relação ao mundo. Por isso mesmo, será um momento de fundamental importância para o diálogo, conhecimento e ação conjunta da pastoral e dos movimentos […] A urgência do anúncio de Jesus, e do Reino de Deus, deveria ser tal que Pastoral da Juventude e Movimentos deveriam deixar de lado desconfianças, divergências, visões menores e secundárias possibilitando cursos, planejamentos de atividades comuns, debate em torno desse interesse fundamental: como atingir realmente os jovens? Como leva-los a se comprometerem com o homem e sobretudo o homem empobrecido, a verdadeira glória de Deus?[4]

Este propósito de unidade ganha visibilidade com encontros específicos promovidos pela CNBB: “Desde setembro de 95, anualmente, o Setor Juventude da CNBB vem realizando Encontros Nacionais com Congregações Religiosas e Movimentos Juvenis, aprofundando o diálogo e a parceria com a PJ do Brasil”.[5]

A partir de 2007, com o Documento 85, a CNBB intensifica este princípio da valorização das várias forças de atuação e reconhece o valor das outras propostas pedagógicas, motivando e orientando para que, na evangelização da juventude, haja projetos e espaços de promoção da unidade desta importante diversidade:

Na Igreja do Brasil, muitas forças pastorais atuam juntos aos jovens e com eles. Cada uma delas tem a sua própria riqueza e contribui, no interior da Igreja, para a evangelização da juventude. Destacamos entre elas as Pastorais da Juventude, os Movimentos Eclesiais, o serviço pastoral das Congregações e as Novas Comunidades. Reconhecemos que a evangelização dos jovens é obra de muitas mãos, inclusive com a contribuição da Pastoral Familiar, Pastoral Vocacional, Pastoral Catequética, ação missionária” (Doc. CNBB 85, 50). “Há uma multiplicidade de experiências na evangelização da juventude no Brasil, cada uma com sua organização e espaços de formação e atuação. Há necessidade de uma instância mais ampla – Setor Juventude”. [6]

 

  1. IDENTIDADE E MISSÃO

“O Setor Juventude é um espaço de comunhão e participação para unir e articular todos os segmentos juvenis diocesanos num trabalho conjunto”,[7] com alguns objetivos e prioridades comuns em vista da evangelização da juventude. Todavia, esse Setor, que tem seu olhar prioritário na missão e na unidade das várias expressões juvenis, não se identifica, primeiramente, com uma estrutura organizativa e complexa, mesmo sabendo que para realizar uma pastoral juvenil será necessário um mínimo de condições para atingir seu objetivo.

Na medida em que todas as forças evangelizadoras estiverem organizadas e unidas “poderemos responder com mais capacidade e resultados a este clamor por vida plena em todas as suas dimensões. Deste modo, o que nos motiva à existência do Setor Juventude é, em primeiro lugar, a realidade juvenil e a missão comum de evangelização que todos os segmentos têm diante do chamado de Jesus Cristo”.[8] Um Setor Diocesano de Juventude bem organizado poderá ser, também, uma importante força de reinvindicação de políticas públicas para a juventude.

 

  1. OBJETIVOS DO SETOR[9]

São os seguintes objetivos do Setor Diocesano da Juventude, já identificados em documentos anteriores:

  • Fortalecer e dinamizar a Pastoral Juvenil diocesana a partir de todas as forças presentes;[10]
  • Favorecer a integração e o diálogo entre os segmentos juvenis;
  • Garantir espaço de reflexão, discernimento, tomada de posição e celebração conjunta;
  • Propor algumas diretrizes, metas, prioridades e atividades comuns;
  • Resgatar, no coração de todos, a paixão pela Juventude;
  • Auxiliar a Igreja com suas comunidades na acolhida aos jovens, garantindo sua opção afetiva e efetiva por eles;
  • Fortalecer o sentido de pertença e eclesial e de corresponsabilidade sobre a missão evangelizadora da Igreja;
  • Ser expressão eclesial e social da diversidade juvenil;
  • Auxiliar a diocese a responder com mais capacidade e resultados ao clamor dos jovens por vida plena em todas as suas dimensões. [11]

 

    1. DEZ RAZÕES PARA SE CRIAR O SETOR DIOCESANO DA JUVENTUDE:

 

  1. Favorecimento de diálogo entre os segmentos, a partir de reuniões e algumas atividades conjuntas;[12]

  2. Respeito à pluralidade; exercício da capacidade de acolhida ao diferente e do perdão;
  3. Conhecimento e partilha das riquezas que cada expressão carrega em sua identidade e experiência;
  4. Socialização e troca de subsídios e outros instrumentos para a evangelização da juventude;
  5. Maior visibilidade e produtividade da potencialidade juvenil na diocese;
  6. Aprimoramento e fortalecimento de cada expressão na medida em que se relaciona com o diferente e se questiona sobre sua especificidade;
  7. Promoção de uma reflexão mais ampla e valorização do trabalho junto aos jovens;
  8. Exercício constante de se pensar juventude a partir dos vários pontos de vista e da diversidade sociocultural, à luz do Evangelho de Jesus Cristo e dos documentos eclesiais;
  9. Percepção da potencialidade juvenil a serviço da diocese e da sociedade;
  10. Força de pressão social em defesa da vida e dos direitos dos jovens.

 

 

 

 

[1]

“Se a comunhão exprime a essência da Igreja, é normal que a espiritualidade de comunhão tenda a manifestar-se quer no âmbito pessoal quer no comunitário, suscitando sempre novas formas de participação e co-responsabilidade nas várias categorias de fiéis. Por isso, o Bispo esforça-se-á por suscitar, na sua Igreja particular, estruturas de comunhão e participação, que permitam escutar o Espírito que vive e fala nos fiéis e, depois, orientá-los a fim de porem em prática o que o mesmo Espírito sugere para o verdadeiro bem da Igreja” (João Paulo II, Pastores Gregis, 44).

[2] CELAM. Civilización del Amor, Tarea y Esperanza. Colombia: CEMPAJ, Santafé de Bogotá, 1995. P. 260.

[3] Para nós, como trata-se de uma Arquidiocese, “Setor Arquidiocesano da Juventude”.

[4]

Outras preciosas sugestões, deste mesmo subsídio, destacadas naquela época pela Pastoral da Juventude, são válidas ainda hoje para a dinâmica do Setor Diocesano de Juventude: “Um momento forte de intercâmbio, de ajuda comum, de ação conjunta poderá surgir de situações pastorais de emergência, tais como: calamidades, desastres, campanhas de solidariedade, necessidades surgidas por ocasião de ocupações de terra ou outras questões sociais fortes. […] Uma forma para superação de desconfianças e preconceitos poderia ser o momento de troca de experiências. A possibilidade de um planejamento conjunto, evitando choque de cronogramas; por ocasião de cursos comuns, troca e ou elaboração conjunta de subsídios; participação em assembleias e eventos próprios, mas abertos a representantes seja da Pastoral da Juventude ou dos Movimentos tanto em nível de jovens como de assessores. A programação e execução conjunta de eventos de cunho artístico-cultural […]. A celebração da eucaristia em acontecimentos significativos da Igreja.” CADERNOS DE ESTUDOS DA PASTORAL DA JUVENTUDE NACIONAL. PJ e Movimentos. 5. São Paulo: CCC, 1991. P. 62-63.

[5] CNBB. Marco Referencial da Pastoral da Juventude do Brasil. P.120.

[6] CNBB. Evangelização da Juventude – Desafios e Perspectivas Pastorais. N. 193.

[7] CNBB. Setor Diocesano da Juventude. P. 7.

[8] CNBB. Setor Diocesano da Juventude. P. 8.

[9] Ibid. p. 10, 18, 23.

[10] Cf. CNBB. Evangelização da Juventude – Desafios e Perspectivas Pastorais. 198.

[11] Cf. CNBB. Setor Diocesano da Juventude. P. 8.

[12] Ibid. p. 8.